FESTCINEAMAZÔNIA ITINERANTE 2015 FORTE PRÍNCIPE DA BEIRA

FESTCINEAMAZÔNIA ITINERANTE 2015 FORTE PRÍNCIPE DA BEIRA

FestCineAmazônia no Forte Príncipe da Beira

Por Fonte: Felippe Jorge Foto: Gavin Andrews


 

O trecho final do FestCineamazônia Itinerante 2015 – Vale do Guaporé, realizado na tarde da quinta, 09 de julho de 2015, até o Forte Príncipe da Beira, fortaleza considerada uma das maiores edificadas pela engenharia militar portuguesa no Brasil Colonial, foi realizada sob um vento moderado e frio e com a chegada de nuvens de chuva, como previu a meteorologia em função da frente polar que chegou ao país.

Neste trecho é dominante a presença da Serra dos Parecis, do lado esquerdo da embarcação, crescendo a cada trecho com os seus morros e domos e onde, em uma curva do Rio Guaporé, se ergue a fortaleza que, com certeza, poucos brasileiros sabem conhecem até da sua existência. Mesmo um pouco escondida pela vegetação e sendo marcante a presença das casas dos militares o Forte Príncipe da Beira se destaca na paisagem em função de sua coloração avermelhada, originária do uso da pedra de canga laterítica usada em suas paredes.

A obra da fortaleza foi iniciada em 1776 e leva o nome em homenagem ao primogênito da Coroa Portuguesa, Dom José de Bragança, ou Príncipe da Beira, título que manteve até sua mãe D. Maria de Portugal assumir ao trono em 1777. Morrendo novo, não chegou a reinar sendo sucedido por um de seus irmãos, o Rei Dom João VI.

A construção do Real Forte Príncipe da Beira, bem como a dos demais fortes a Oeste da raia do Tratado de Tordesilhas, foi uma ação de geopolítica e ocupação territorial da diplomacia portuguesa do século XVIII, procurando assegurar e tomar a posse efetiva de todo o território a oeste e da bacia amazônica, garantindo, desta maneira e de forma geral as atuais fronteiras brasileiras na região. Entre 1750, quando do Tratado de Madri e 1777 com o fim do mandato de Dom José, o primeiro ministro português Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido como o Marquês de Pombal, coordenou um grande projeto de ocupação e colonização da Amazônia, onde entre as decisões estratégicas levadas a cabo foi a construção de um grande cordão de fortes e fortalezas nas fronteiras, com o objetivo de refluir e barrar as vias de penetração, seja pelo Norte, através da subida pelos rios, seja pelo Oeste, na fronteira com a Coroa Espanhola descendo-se os rios amazônicos desde o atual estado de Mato Grosso.

A descida do Rio Guaporé era feita a partir da Vila Bela de Santíssima Trindade, na então capitania de Mato Grosso e fundada pelo seu primeiro Governador e Capitão-General, Dom, Antônio Rolim de Moura e a defesa do vale era ponto primordial para a manutenção do território português, tendo em vista o avanço dos espanhóis que, estabelecendo as missões Jesuítas ao longo do Guaporé e seus afluentes, tentavam barrar o avanço de portugueses e paulistas em busca do ouro explorador em toda a região.

Em 1772, assume Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, quarto Governador e Capitão-General da Capitania do Mato Grosso. Conforme determinação da Coroa, em seus planos encontra-se o de dominar ambas as margens do Guaporé, afastando os Castelhanos e assegurando o integral controle das minas dos Guarujus, entre o Rio Paragá e o Tanquinhos, atual comunidade de Mateguá, garantindo caminho seguro via Guaporé, Mamoré e Madeira para o monopólio da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Descendo o Rio Guaporé, escolhe e determinada, em 1773, o local da construção do Forte Príncipe da Beira a “pedra e cal”, sendo lançada em 20 de junho de 1776 a pedra fundamental.

A primeira pedra, conhecida como “pedra da bera” ou “pedra da Gama”, foi assentada voltada para o poente. Os quatro baluartes, ou torres do Forte Príncipe da Beira, estão assentados como o da Nossa Senhora da Conceição, também voltado ao poente, o de Santa Bárbara, virado para o Sul, estes dois do lado do Rio Guaporé e os baluartes de Santo Antônio de Pádua voltados para o Norte e o Leste. O Forte é toda abaluartado pelo sistema Vauban, técnica de construção de abóbodas onde cada tijolo disposto tem a função de segurar o outro. Cada uma de suas faces mede 118,50 metros e cada baluarte nos ângulos 59 metros em sua altura máxima. Em cada baluarte existem 14 canhoneiras, sendo 3 por flanco e 4 por face. As cortinas, ou paredes que ligam um baluarte ao outro medem 92,40 cada uma, e o fosso varia de 1,50 metros a 9,0 metros em frente ao portão principal.

De acordo com relatos da época, a cal empregada na construção era trazida de Corumbá até o Rio Jaurú, afluente do Rio Paraguai e depois de um trecho em lombo de burro embarcada em balsas para a descida do Rio Guaporé, sendo que o restante do material era trazido do Pará, através do Rio Madeira, necessitando, assim, uma complexa logística e articulação de todos os envolvidos nas obras. As muralhas são de alvenaria de pedra com revestimento de cantaria (toda feita no Rio Jaurú) e medem 8,22 metros em todos os pontos.

Inicialmente projetado para receber 56 canhões, o Forte Príncipe da Beira teve sua primeira carga de artilharia composta por quatro canhões calibre 24 que só chegaram ao local em 1830 e que levaram 5 anos para chegar do Pará. Anos mais tarde outros 14 canhões calibre 12 constituíram todo o arsenal bélico da fortificação e conta-se, com certo orgulho, que nunca foi disparado um único tiro no forte. Atualmente em sua entrada apenas duas imitações lembram as peças originais, muitas roubadas e outras constituindo museus no Rio de Janeiro e em Portugal.

A obra foi terminada pelo Capitão de Engenheiros Ricardo Franco de Almeida Serra em 1783, mais tarde também responsável pelo Forte Novo de Coimbra e, de acordo com relatos oficiais enviados à Coroa Portuguesa em suas obras sempre se trabalhou “ao menos com duzentas pessoas e daí para mais”, sendo quase toda mão de obra constituídas de negros escravizados. Há relatos não oficiais de que ao menos outros mil trabalhadores atuaram na edificação da fortaleza, entre eles muitos indígenas da região. Em 1797 funcionava na parte interna do Forte um depósito de armas e munições, fardamentos e ferramentas, alimentos, equipamentos náuticos e tudo o que era necessário para garantir o uso das forças militares e da população civil.

Atualmente, o Forte Príncipe da Beira aguarda recursos para a sua restauração e reconstrução. Da imponência histórica e política restam paredes caídas e a esperança que, um dia, os brasileiros possam conhecer o monumento.

A exibição do FestCineamazônia Itinerante 2015 – Vale do Guaporé no Forte Príncipe da Beira foi marcada pela presença de grande parte dos moradores da comunidade que hoje se assenta em torno do forte. Montada em frente à entrada principal da fortaleza, a tela de cinema deu um brilho ainda mais intenso ao céu estrelado da noite, coroado ao final com o espetáculo do palhaço Kuxixo, trazendo ainda mais sorrisos à noite.

O FestCineamazônia Itinerante 2015 – Vale do Guaporé tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, Lei Rouanet. Apoio cultural da Prefeitura de Porto Velho, Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema).

O FestCineamazônia é membro do GreenFilm Network e Fórum dos Festivais.

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