INTEGRAÇÃO DO FESTICINEAMAZONIA CHEGA DESTA VEZ A VERSALLES BOLÍVIA.

Pouco carrega a comunidade boliviana Versalles da pompa que o nome poderia indicar.  Algumas dezenas de choupanas de madeira com cobertura de palha às margens do rio Guaporé e moradores que não conjugam com facilidade no cotidiano o verbo apressar. Mulheres lavam roupas à beira do rio, enquanto jovens jogam futebol no campinho de gramado irregular, centenas de metros adiante. Foi nessa calmaria que o Festival de Artes Integradas-Festcineamazonia Itinerante aportou em Versalles. O circo, a música, a poesia e o cinema encontraram ambiência perfeita entre os moradores de Versalles.

Em algumas casas, a televisão ligada em uma novela. Todas as antenas parabólicas captam os sinais das TVs brasileiras. Tornou-se um hábito. Mas a lua cheia testemunhou a alteração da rotina dos moradores locais.

À tarde, o cantor Bado foi procurado por um antigo morador. Antonio Sosa queria mostrar ao músico rondoniense uma cantiga distante no tempo, mas presente na memória de Antonio, desde quanto era um ‘niño’ e a ouviu de um palhaço num circo mambembe. O palhaço derramava uma lágrima ao cantá-la e isso jamais saiu da memória afetiva de Antonio. Bado aprendeu a melodia e tentou convencer o velho Antonio a cantar com ele. A timidez falou mais alto, no entanto.

Mas se essa participação musical não ocorreu, o contrário se viu na apresentação do palhaço argentino Martinez, que teve mais uma vez uma grande aceitação do público. A facilidade da língua provocou uma identidade imediata com a plateia. Da mesma forma, o escritor português José Luís Peixoto, leu três poemas em versão espanhola para melhor compreensão de todos.

Versalles tem uma faceta curiosa. É um vilarejo pequeno, mas que crê na possibilidade de retorno financeiro a partir de atividades turísticas. Há um hotel não muito longe da comunidade, que leva turistas estrangeiros a Versalles. De lá, os visitantes são levados por alguns dos moradores para pescar em um braço do rio Guaporé.

Além dessa incipiente atividade ligada ao turismo, a comunidade sobrevive da extração de castanha e madeira e de pequenas agriculturas. Um telefone comunitário é a principal porta de contato com o mundo. A chegada de um evento como o Festcineamazonia se torna um acontecimento local.

O Festival de Artes Integradas – Festcineamazonia Itinerante 2013 tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural da Santo Antônio Energia.

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