A PRIMEIRA VEZ NÃO SERÁ ESQUECIDA

É um tempo diferente o que cerca a comunidade que vive na Reserva Extrativista Rio Ouro Preto, entre os municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, em Rondônia. Guiados pelo rio os integrantes das 21 famílias que compõem esse pedaço amazônico trazem na memória os descaminhos que as produções ancestrais de seringa e castanha deixaram entranhados na pele de cada um. Foi para essas famílias que o Cineamazônia iniciou a segunda etapa da itinerância 2016, numa noite de quarta-feira, com lua crescente e céu estrelado.

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Fotos: Zeca Ribeiro

Foi uma noite típica de primeira vez, primeiro encontro. Era a primeira apresentação do Cineamazônia na comunidade, que passa a integrar o roteiro da itinerância. Era a primeira vez que muitos moradores tinham a possibilidade de ver cinema e circo tão próximos. E era o primeiro contato da dupla de palhaços Geise Helena e Alexandre Malhone nessa região amazônica.

 

“É uma emoção muito forte estar aqui nessa comunidade que tem um histórico de resistência e luta tão fortes”, disse a coordenadora do Cineamazônia Fernanda Kopanakis na abertura do evento.

A sessão foi iniciada com a exibição do primeiro filminho já produzido na própria comunidade. Utilizando a técnica de Pixilation, Christian Ritze mostrou o resultado do que foi feito com duas crianças da comunidade. O filme de 30 segundos deixou as crianças animadas e curiosas. Afinal, duas delas estavam ali, na tela em frente.

Depois foi feita a exibição dos curtas. O grande destaque da noite foi o curta multicultural ‘o Barril’, uma produção de 2013, que uniu Venezuela, República Dominicana e Reino Unido para, num filme de 11min mostrar os efeitos desequilibrados causados pelas multinacionais. O filme mostra as casas de Congo Mirador, palafitas sobre a água. Os adultos usam lanchas para o transporte. As crianças nadam e algumas usam barris. Às vezes, as crianças organizam corridas de barril. Luis David, que trabalha como ajudante de um pescador, a fim de alimentar a si mesmo e seus irmãos e irmãs, gostaria de participar, mas ele não tem um barril, ainda. Uma alegoria sobre a infância, o futuro e a selvageria do capital.

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Fotos: Zeca Ribeiro

 

Logo em seguida foi a vez da apresentação da Trupe Koskowisck, que nada mais é que  um grupo de atores-palhaços que desenvolvem um trabalho e pesquisa em Teatro de Rua, Circo e Circo-Teatro. Formado por Geise Helena, Alexandre Malhone e Renato Gommes, o grupo nasceu em 2006 desenvolvendo nas ruas, cenas a partir de improvisos.

A apresentação rememora os antigos espetáculos circenses com palhaços que a todo momento são instados a se desafiarem. Mal comparando, lembram os antigos esquetes de Didi e Dedé na época dos Trapalhões. Com intensa participação do público da comunidade, a dupla mostrou-se emocionada ao fim do espetáculo. “Vocês tem que aproveitar porque merecem que a cultura e a arte cheguem até vocês”, disse Geise Helena no final.

Com as apresentações encerradas foi a vez da gravação do depoimento de Francisca Oliveira, liderança da comunidade. Ela foi a escolhida para fazer parte do projeto Museus Vivos, mais uma atividade inerente ao Cineamazônia. Durante mais de 20 minutos, Francisca contou a própria história aos jornalistas Lui Machado e Ismael Machado, que estão dirigindo o projeto na itinerância.

A noite foi encerrada com uma galinhada. O jantar especial foi ofertado pelos moradores a toda a equipe do Cineamazônia.

A itinerância prossegue ainda nessa etapa circundando Guajará-Mirim e o Rio Madeira-Mamoré. Nessa primeira parte serão feitas exibições no distrito de Iata e na sede principal do município, Guajará-Mirim. Depois será a vez de Guayaramerin, na Bolívia. Só depois é que a itinerância irá navegar em direção ao Rio Guaporé.

Cineamazonia, 14a EDIÇÃO, tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, Lei Rouanet. Apoio Cultural da Prefeitura de Porto Velho, através da SEMA.

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