Cineamazônia se despede de 2016 em uma noite emocionante

Homenagens, premiações e show musical marcaram encerramento em Porto Velho
Emoção foi a palavra mais repetida para definir o sentimento que tomou conta da noite de encerramento da 14ª edição do Cineamazônia, no sábado, 26\11, no Teatro Banzeiros, em Porto Velho. A homenagem da coordenação do festival a Milton Gonçalves fez com que o velho ator de 82 anos fosse às lágrimas. Emocionado, Milton dedicou a noite à mulher Oda, ‘que está no andar de cima’, como definiu o homenageado e a outros parentes mortos. “Estão todos aqui comigo nesse momento”, disse ao receber o troféu Mapinguari das mãos do poeta Carlos Moreira.

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Marcos Winter, Mestre de Cerimônias do Festival Cineamazônia 2016

Além da homenagem à Milton, foram entregues os quinze troféus Mapinguari para os vencedores da mostra competitiva. Haviam sido selecionados 44 filmes para disputar os prêmios, de um total de cerca de 400 produções inscritas, entre longas e curta-metragens. Os filmes foram exibidos nos dias 23, 24 e 25 de novembro.

A coordenação do Cineamazônia também homenageou o líder cubano Fidel Castro, morto na manhã do dia de encerramento do festival. Trechos de um discurso histórico de Fidel na Organização das Nações Unidas foram mostrados, tendo imagens de um filme que aborda os confrontos entre manifestantes contra os líderes do G7, o grupo dos países mais ricos do mundo.

O ator Marcos Winter, mestre de cerimônias de todo o festival enfatizou que o mundo ficava um pouco mais ‘burro’ com a morte de Fidel. Fidel ainda seria lembrado em pelo mais duas falas ao longo da noite.

Antes da premiação foram chamados ao palco o cineasta Gustavo Spolidoro e a fotógrafa e jornalista Bete Bullara, que ministraram oficinas ao longo da semana. Spolidoro mostrando as possibilidades de se produzir cinema com pouco ou quase nenhum recurso e Bete Bullara discutindo como se pode usar o cinema como ferramenta educacional em sala de aula.

Em seguida foi a vez dos cinco jurados subirem ao palco para falar um pouco a respeito do processo de escolha dos vencedores da edição 2016. Sergio Santeiro, Gustavo Ballesté, Juan Carlos Crespo, Gustavo Spolidoro e Chico Faganello enfatizaram a qualidade e diversidade das produções apresentadas no festival.

 

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O ator Milton Gonçalves com o Troféu Mapinguari, que recebeu como homenageado da noite

Foi a introdução para que Marcos Winter anunciasse os vencedores da 14ª edição. Os troféus eram entregues a representantes dos ganhadores, já que a maioria não estava presente ao festival. Uma das exceções foi Son Araújo, o vencedor do Prêmio Vitor Hugo, melhor ficção com o filme Grãos De Arroz. Morando na Bahia, mas rondoniense de origem, Araújo disse que era uma emoção especial ter seu primeiro filme premiado na terra natal.

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O músico Arthur Maia, fechou a noite com uma apresentação musical

Outra a receber pessoalmente o troféu Mapinguari foi a diretora Joelma Silva Ferreira, ganhadora da melhor produção rondoniense com o curta ‘A troca’.

Mas o que a noite ainda reservaria de mais emocionante estava reservada a Milton Gonçalves. Logo depois da premiação Marcos Winter iniciou o discurso de homenagem ao ator. Enfatizando a importância de Milton Gonçalves para a cultura e para a política brasileiras, Winter emocionou Milton ao relembrar episódios da trajetória do ator mineiro de nascimento e
carioca por opção. Falou do casamento, dos filhos e netos, da pobreza inicial, dos primeiros anos como ator, do reconhecimento na profissão e da participação de Milton em episódios marcantes da vida nacional, como o engajamento no Movimento Diretas Já.

Milton subiu ao palco e, com a voz embargada, agradeceu a homenagem e lembrou as pessoas queridas que já haviam ‘partido’ e falou um pouco da própria trajetória. O ator foi aplaudido de pé, levando muitos presentes às lágrimas.

A noite foi encerrada com um show em grande estilo do contrabaixista Arthur Maia, que fez uma apresentação memorável, com participação de Bado, misturando músicas instrumentais com outras cantadas. Ao final, pôs todo mundo para dançar ao som de uma salsa aos pedidos de bis.

Cineamazonia, 14a EDIÇÃO, tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, Lei Rouanet. Apoio Cultural da Prefeitura de Porto Velho, Sejucel e Unir – Universidade Federal de Rondônia.

 

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Confira os grandes vencedores do 14° Festival Cineamazônia:

PRÊMIOS

PREMIADO

COMISSÃO DO JÚRI (CONSIDERAÇÕES)

PRÊMIO PARA MELHOR LONGA METRAGEM DOCUMENTÁRIO – TROFÉU MAPINGUARI MARTÍRIO VINCENT CARELLI (PERNAMBUCO) PELA PROFUNDA INVESTIGAÇÃO DOCUMENTAL DE UM TEMA URGENTE,  HUMANITÁRIO E AMBIENTAL, QUE DISCUTE JUSTIÇA, CIDADANIA, DIREITO, OPRESSÃO E RESISTÊNCIA.

COMPETIÇÃO PARA CURTA E MÉDIA METRAGEM

PRÊMIO DANNA MERRIL: MELHOR DOCUMENTÁRIO “PARA ONDE FORAM AS ANDORINHAS” MARI CORRÊA (SÃO PAULO) PELA CLAREZA EM MOSTRAR QUE DANOS AMBIENTAIS APARENTEMENTE INVISÍVEIS, E QUE OCORREM MUITO DISTANTES DE ONDE VIVEMOS, PODEM NOS AFETAR DIRETAMENTE, COMO  ACONTECE NO PARQUE NACIONAL DO XINGU
PRÊMIO MAJOR REIS: MELHOR ANIMAÇÃO PAYADA PA SATAN CARLOS BALSEIR (ARGENTINA) PELO USO CRIATIVO DA TÉCNICA CINEMATOGRÁFICA, PELA FORMA POÉTICA COM QUE FALA DE UM PROBLEMA AMBIENTAL LIGADO À REALIDADE CONTEMPORÂNEA E PELO ROTEIRO BEM ESTRUTURADO
PRÊMIO VITOR HUGO: MELHOR FICÇÃO GRÃOS DE ARROZ SON ARAÚJO (BAHIA) PELA DELICADEZA DA NARRATIVA, QUE RESPEITA O RITMO DO SERTÃO, PELA QUALIDADE DO ELENCO E DA DIREÇÃO.
PRÊMIO MANOEL RODRIGUES FERREIRA: MELHOR EXPERIMENTAL “ËMPLATADO AL REVÉS” LEON JUNQUEIRA (SANTA CATARINA) PELO RISCO DE EXPERIMENTAR A LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA NOS SEUS LIMITES, RELACIONANDO-A COM A CADEIA PRODUTIVA DA ALIMENTAÇÃO.
PRÊMIO CHICO MENDES: MELHOR ROTEIRO THIAGO BRIGLIA ROTEIRISTA DO FILME FRONTEIRA EM COMBUSTÃO (RORAIMA) PELA CONSTRUÇÃO DE UM THRILLER VINCULADO À REALIDADE FRONTEIRIÇA LIGADO A UM DRAMA SOCIAL.
GEORGE ROJA ROTEIRISTA DO FILME EL COLUMPIO (VENEZUELA) PELA POTÊNCIA DE NARRAR TODA UMA VIDA HUMANA A PARTIR DE UM SIMPLES MOMENTO
PRÊMIO POVOS INDÍGENAS DE RONDÔNIA: MELHOR TRILHA SONORA EQUIPE DE ÍNDIOS DO FILME KONAGXEKA: O DILÚVIO MAXAKÁLI (MINAS GERAIS) PELA ORIGINALIDADE DA MÚSICA ÉTNICA, PELO TRABALHO COLETIVO QUE CONTRIBUIU PARA A DESCOBERTA DE CRIATIVIDADES E DIFERENÇAS , PELA HARMONIA QUE OS SONS ANCESTRAIS RECRIADOS NO PRESENTE ACRESCENTAM ÀS OBRAS DE ARTE.
PRÊMIO SILVINO SANTOS: MELHOR FOTOGRAFIA VEBLEN MANTOVANI DO FILME JEGUES (RIO DE JANEIRO) PELA RIGOR DO ENQUADRAMENTO E PELO CONTROLE DA LUZ  E DA TÉCNICA À SERVIÇO DA NARRATIVA.
PRÊMIO CAPÔ (MAURICE CAPOVILLA): LINGUAGEM TADEU JUNGLE DO FILME RIO DE LAMA (SÃO PAULO) PELA PROPOSTA CINEMATOGRÁFICA DE INSERIR AS PESSOAS NUMA PAISAGEM DESTRUÍDA, REVELANDO A DEFORMIDADE DO AMBIENTE NO QUAL OS HUMANOS PRECISAM SOBREVIVER, E PELO USO ARTICULADO DA TÉCNICA E DA SENSIBILIDADE POÉTICA.
PRÊMIO MELHOR MONTAGEM MARCELO BICHARA DO FILME VALE DO RIO MORTO (RIO DE JANEIRO) PELO USO DE PROPOSTAS ATUAIS DO USO MATERIAL DE ARQUIVO EM FAVOR DA MEMÓRIA, O IMPACTO PROVOCADO PELA  ARTICULAÇÃO DE DIFERENTES CONTEXTOS E PERÍODOS HISTÓRICOS.
PRÊMIO MELHOR DIREÇÃO JOÃO LEITE AQUAMAZONIDA (PORTUGAL/BÉGICA) PELA REALIZAÇÃO PRECISA DE UM POEMA VISUAL. PELA PROPOSTA DOCUMENTAL QUE FLUI COM AS ÁGUAS DE UM RIO.
PRÊMIO MELHOR ATOR LUCIANO KEZO DO FILME CHEGAMOS ANTES (MINAS GERAIS) PELO DESAFIO DE INICIAR UMA CARREIRA INTERPRETANDO UMA HISTÓRIA DE SEU POVO, E POR ENFRENTAR NA TELA AS DORES E ANGÚSTIAS REAIS VIVIDAS POR MILHARES DE ÍNDIOS BRASILEIROS
PRÊMIO MELHOR ATRIZ ZEZITA MATOS DO FILME OLHOS DE BOTÃO (PERNAMBUCO) PELA ATUAÇÃO RIGOROSA E CONVINCENTE, PELA INTERPRETAÇÃO DE UMA PERSONAGEM DRAMATICAMENTE ASSUSTADORA.
PRÊMIO THIAGO DE MELLO: JÚRI POPULAR – TROFÉU ESPERANÇA DEPOIS DA INUNDAÇÃO – BELO MONTE DE TODD SOUTGHATE (SANTA CATARINA)

COMPETIÇÃO DE VÍDEOS RONDONIENSES

PRÊMIO LÍDIO SOHN – MELHOR PRODUÇÃO RONDONIENSE “A TROCA” JOELMA SILVA FERREIRA (RONDÔNIA) PELA NARRATIVA DELICADA DAS RELAÇÕES ENTRE DIFERENTES CULTURAS QUE RESULTOU NUMA OBRA SIMPLES E SENSÍVEL.

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