Milton Gonçalves

Milton Gonçalves

Se há um momento em que Milton Gonçalves mudou o script que o roteiro da vida parecia destinar a ele, foi quando assistiu a peça ‘A mão do macaco’, a convite de um amigo. Naquela noite o jovem mineiro, filho de camponeses que colhiam café no interior de Minas, decidiu que não queria interpretar um papel de figurante na própria existência. Foi ser protagonista, escolhendo, por si só, os papéis de seu próprio destino. Do final dos anos 50 até hoje, Milton se tornou um dos mais respeitados atores nacionais, com passagens marcantes pelo cinema, teatro e televisão. Milton Gonçalves será um dos homenageados da edição 2016 do Cineamazônia. Antes, homenageou o evento ao emprestar brilho e competência como a voz oficial da abertura da 14ª edição do festival.
Só no cinema são cerca de 70 filmes, de todos os gêneros. De clássicos como ‘Eles não usam Black tie’ e ‘Lúcio Flávio, o passageiro da Agonia’, a produções infanto-juvenis, comedias, cults e participações em filmes internacionais. Com Rainha Diaba, filme da década de 70, ganhou os quatro principais prêmios de cinema existentes à época. E foi o primeiro brasileiro a apresentar a importante premiação da televisão, o Emmy, em 2006.
O talento de Milton o levou a extrapolar o papel de ator, mesmo que à frente das câmeras tenha feito filmes nos Estados Unidos, Itália e Portugal. Mas Milton faz questão de lembrar que também tem marcante atuação como diretor. Há a assinatura de Milton em produções como Irmãos Coragem, Escrava Isaura e Carga Pesada, por exemplo.
“Sou uma pessoa realizada”, costuma dizer Milton, ao avaliar a própria vida e carreira. Mas isso não o impede de ser um profissional consciente do país em que vive. Militante do movimento negro, Milton Gonçalves chegou a tentar a carreira política, nos anos 90, ao candidatar-se a governador do estado do Rio de Janeiro, em 1994. Gonçalves foi também o primeiro brasileiro a apresentar uma categoria na cerimônia de premiação do Emmy Internacional em 2006. Não é a toa que hoje é o ator mais antigo a integrar o quadro da maior emissora de televisão do País.
À revista Nova Democracia, Milton Gonçalves deu um depoimento que mostra a importância que a carreira artística selou sobre sua vida. “Ser ator mudou o destino de Gonçalves, ele enfatiza. “Viajei pelo Brasil com o teatro, mudei de estado e município. Vi outras configurações humanas, outros ângulos da vida. Fui operário, gráfico e, por ler tudo que caía nas minhas mãos, trabalhei numa livraria. Isso, para a minha idade e para o meu tempo de pobreza me deu a oportunidade de ter uma visão acima dos meus contemporâneos. Assim, o teatro e o trabalho como ator para mim foi a grande salvação. Acredito que se não tivesse encontrado o teatro, teria me transformado em outra coisa que não sei o que seria”.

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