Capixaba

O sono imperava absoluto na van no caminho à cidade de Capixaba, no Acre. Tínhamos chegado muito tarde ao hotel na noite anterior e nenhum de nós dormiu o suficiente para conseguir recarregar a bateria de forma decente. O único som que realmente se ouvia era o do CD acústico do Rappa que, aquela altura do campeonato, já soava como

Diário de Bordo de uma palhaça (por Geisa Helena)

Conheci o projeto Cineamazônia através do palhaço Kuxixo. Ele participou da itinerância e acabou nos indicando para os coordenadores. Quando a Fernanda Kopanakis, uma das organizadoras e idealizadoras do projeto me ligou, eu fiquei extremamente empolgada com a viagem e o projeto. Passava muito tempo pensando nele e em como me oferecia uma oportunidade única. Eu estava certa em aceitar

Surpresa boa

Texto: Ismael Machado Fotos: Zeca Ribeiro Edição: Lui Machado Botos e jacarés começam a fazer parte da paisagem. E pássaros, muito pássaros. Uma revoada de biguás nos encanta. Coisas de natureza. Mas o que tem me encantado são as histórias. Seja a de nossos personagens dos Museus Vivos, seja de qualquer um que passemos a conversar. Como Vitória, uma menina

De reis e rainhas

Texto: Ismael Machado Fotos: Zeca Ribeiro Edição: Lui Machado Pinduca é rei em Guayaramerin. Tomo um susto ao entrar  na casa da velha Aidê e no quintal deparar com um adolescente ouvindo um DVD do rei do carimbó. Quando digo ao rapaz que ele é da minha terra, os olhos do moleque brilham. É necessário recapitular. Estamos na segunda etapa

Sob a luz vermelha de Iata

Texto: Ismael Machado Fotos: Zeca Ribeiro Edição: Lui Machado Há que ter paciência e um bom olhar. Phillip e Chrystian têm as duas coisas de sobra. Os dois caminham por uma estradinha de terra bem iluminada por uma lua crescente e um céu pra lá de estrelado. Vão em direção às margens do rio. A intenção é fazer fotografias com exposição demorada.

De volta à estrada!

Passaram-se aproximadamente dois meses desde a primeira vez que entrei na van com o Cineamazônia. Havia ficado uma sensação de dever cumprida e ao mesmo tempo de “quero mais” na última aventura pelas estradas da Amazônia. Dessa vez a aventura seria diferente. Ao invés de van e hotel, um barco de três andares para acomodar a nós e a toda

Dia 9 – Calmaria em Fortaleza do Abunã

Uma dor irritante percorria desde a base da minha lombar até a ponta dos meus dedos da mão esquerda. É uma dor que eu conheço bem, proveniente de uma coluna meia-boca piorada pela falta de alongamento. Eu até tentava digitar, adiantar os textos que ficaram atrasados na viagem, mas não conseguia me concentrar. A rotina de viagens por terra é

Dia 7 – A dureza de Extrema

Estamos cansados e isso é visível. Está nas nossas expressões, nos bocejos, nas viagens em silêncio na manhã seguinte ao espetáculo. Alguns pequenos problemas também começam a aparecer. Por exemplo, ainda não tivemos chances de lavar roupa. O pouco tempo que temos livres, o sol ainda não apareceu direito, se mantendo escondido por trás das nuvens dificultando a secagem das

Dia 6 – Em Nova Califórnia, nossa estreia em Porto Velho

Chegamos em Nova Califórnia na hora do almoço. Era a primeira sessão do Cineamazônia Itinerante que fazíamos em solo rondoniense. Se quer ter uma noção de como o distrito de Nova Califórnia é escondido, tente procurar no Google. Vai lá, eu espero. (…) (…) (…). Achou? Não, né? Pois é, mas a comunidade de fato existe e fica às margens

Dia 5 – Bem-vindo ao Brasil

O sono imperava absoluto na van no nosso caminho à cidade de Capixaba, no Acre. Tínhamos chegado muito tarde no hotel na noite anterior e nenhum de nós dormiu o suficiente para conseguir recarregar a bateria de forma decente. O único som que realmente se ouvia era o do CD acústico do Rappa que, naquela altura do campeonato, já soava

Dia 4 – Una noche en Cobija

Essa tem sido uma das itinerâncias mais inusitadas da história do Cineamazônia. Pelo menos foi o que me disse o Christyan, enquanto andávamos pelas ruas escuras do bairro Amstad, uma das periferias mais perigosas da Bolívia. Éramos eu, ele, Avener e Philippe, seguindo pelo caminho de terra batida e mal iluminado sob o olhar atento e desconfiado dos moradores locais.

Dia 3 – Iñapari parte II: O retorno

” No creo en las brujas. Pero que las hay, las hay…” Mesmo o mais cético dos tripulantes de nossa itinerância está repetindo esse ditado internamente. Eu, por exemplo, começo inclusive a imaginar que tem uma cabeça de bode enterrada em algum lugar, que colocaram o nome de alguém na boca do sapo ou que atropelamos um gato preto na

Dia 2 – Iñapari parte I: A missão

A manhã  tinha começado estranha. Acordara com um gosto amargo na boca e um sentimento enorme de constrangimento que tomava o peito, como se tivesse dado vexame em uma bebedeira e agora teria que encarar a ressaca moral. Uma ressaca que provavelmente durará uns cinquenta anos para passar. O golpe havia sido dado. Sabíamos que aconteceria, mas ver esse péssimo

Dia 1 – Porto Velho – Iñapari (Ao som de Belchior, “Pequeno Mapa do Tempo”

A nossa careta na primeira foto da edição 2016 do Cineamazônia Itinerante demonstrava duas coisas. A primeira era que o sol intenso que fazia em Porto Velho nos acompanharia durante toda nossa viagem. A segunda era o inegável sono que permanecia em todos naquele momento. Afinal, ainda não eram sete da manhã e, para alguns de nós, acordar cedo é

VISTA ALEGRE DO ABUNÃ

O melhor meio de transporte é a roldana. Pensei nisso ao ver os cabos de alta tensão cortando a mata em linha reta. Se fosse possível andar neles em uma roldana, daria para atravessar o rio Madeira em uma alta ponte, certamente com uma linda vista. Mas, em carros e caminhões, cruzamos pela balsa mesmo. E ver o Madeira de

EXTREMA

Após 70 quilometros em uma tranquila estrada de asfalto em direção ao Acre, saímos de Vista Alegre e chegamos a Extrema. Localizada ainda mais na extremidade do estado, Extrema vive, como toda a Ponta do Abunã, em uma antiga disputa ente o Acre e o estado de Rondônia, mas aqui se sente mais forte, do que nos outros distritos a

DIÁRIO DE BORDO 8 EM NOVA CALIFÓRNIA

Nova Califórnia fica no oeste, e no extremo norte de Rondônia. O último distrito do grande município de Porto Velho. Quase no Acre. Perto da Bolívia. Fronteira também com o Amazonas. Em Nova Califórnia aconteceu a última sessão da quarta itinerância do Festcineamazônia em 2011. Percorridos sete distritos em oito dias, durante o período de chuvas e em estradas degradadas

ABUNÃ

Nesse dia, a rota do Festcineamazônia itinerante saiu de União Bandeirante, distrito cuja arquitetura é predominante de madeira, uma marca da fronteira de expansão agropecuária em direção à floresta, para uma vila colonial, onde a glória de um passado áureo dos tempos da borracha se faz presente: Abunã. Locomotivas, trilhos, a estação ferroviária, o galpão de mantimentos que abastecia os

UNIÃO BANDEIRANTES

O nome faz referência aos desbravadores que deram início à colonização. União dos bandeirantes, como era chamada, servia para designar as famílias que se juntaram para ocupar a região, no meio da floresta e longe 60 quilômetros do acesso à BR 364. E se tornou União Bandeirante. “Homenagem aos bandeirantes que vieram para cá desbravar”, explica um dos pioneiros, Jorge

JACY PARANÁ

Dia 1 Quinta-feira, 15 de dezembro de 2011 Antes, era a “rua do Amor”. Às margens da BR 364, o terreno de onde foram desalojados bares que agitavam a noite em Jacy Paraná serviu para receber a tenda itinerante do FestCineAmazônia. E a população veio conferir a nova atração. “Eu nunca fui num cinema”, comenta um motorista de carreta, pouco

A ESTRADA E O DIA DE RODAGEM

Floresta Nacional de Bom Futuro, comunidade Rio Pardo. A chuva que caiu durante toda a noite cobrou o preço da boa trilha sonora que fez para dormir logo cedo. Rio Pardo amanheceu ainda com mais barro na rua. Seria necessário cortar quase 100 quilômetros de barro até o asfalto. Próxima parada: União Bandeirante, localizada, geograficamente, como se estivéssemos em uma

DIÁRIO DE BORDO – RIO PARDO

A chuva se anuncia com uma massa de um volume imenso de nuvens sobre as pequenas casas, a frágil estrada de terra e a mata enfraquecida. Despencou no final da tarde, e manteve-se constante por toda a noite. Ao longo do caminho, a caravana da itinerância do Festcineamazonia ( Festival Latinoamericano de Cinema e Vídeo Ambiental) passou por áreas de

DIÁRIO DE BORDO (PERU)

Embora tensos, partimos para a segunda etapa da itinerancia do FestCineamazônia-2011 certos de que a experiência de outras três expedições, e da última por quatro cidades bolivianas (31/5 a 13/6), nos teria forjado corpo e alma para mais uma jornada cultural no Peru. Ledo engano. Os calejados demonstravam naturalidade e, de uma certa maneira, se divertiam com a apreensão dos

DIÁRIO DE BORDO – SANTA CRUZ DE LA SIERRA (BOLÍVIA)

O produtor Rogério Danin seguiu de avião para Santa Cruz de La Sierra, uma semana antes do evento. Lá reencontra familiares que facilitam sua produção, agendando entrevistas em canais de televisão. Também divulgou o Festival por meio de faixas e uma equipe de som volante; visitou escolas e definiu o local das atividades: Paróquia Maria Assunta.O padre Marco, um polonês