Surpresa boa

Surpresa boa

Texto: Ismael Machado
Fotos: Zeca Ribeiro
Edição: Lui Machado

Botos e jacarés começam a fazer parte da paisagem. E pássaros, muito pássaros. Uma revoada de biguás nos encanta. Coisas de natureza.

Mas o que tem me encantado são as histórias. Seja a de nossos personagens dos Museus Vivos, seja de qualquer um que passemos a conversar. Como Vitória, uma menina linda e cheia de sonhos, que guiou a mim e Lui até a casa de uma professora que tinha internet em Surpresa.

Vitória quer ser veterinária e deixar os cabelos crescerem sem parar, como Rapunzel, ela enfatiza. Eu e Lui nos olhamos, sensibilizados. Tomara que os sonhos de Vitória se concretizem. O nome adequado ela já tem.

Itinerância Vale do Guaporé

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Fui me meter a jogar futebol numa tarde e a coluna deu um aviso. No dia seguinte preferi assistir os meninos jogarem. Gabriel faz um golaço por cobertura e outro com passe açucarado de Lui. Depois tomo duas latinhas de Glacial com o Lui enquanto um carro espalha fumacê pela localidade. Caso contrário fica impossível suportar os mosquitos.

Itinerância Vale do Guaporé

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Pela manhã acompanhei uma ida até a aldeia Sagarana, próxima a Surpresa. O que me chamou a atenção foi um médico cubano, chamado Ramón, que faz parte do programa Mais Médicos. Vendo o médico trabalhar, com tanta boa vontade e depois conversando com ele, fico imaginando o quanto as pessoas que criticam o programa não sabem mesmo do que falam. Aliás, seria bom que os barraqueiros da avenida Paulista saíssem de frente da Fiesp e tentassem conhecer o Brasil.

Veriam que o pais é maior que eles pensam.

Tem feito um frio gostoso. Há quem se empacote todo. E é interessante perceber cada um integrado em suas próprias atividades. É cansativo, mas prazeroso.

Itinerância Vale do Guaporé

Itinerância Vale do Guaporé

E eu prometi à Morena, uma das responsáveis pela cozinha, que a cada dia cantaria um trecho de música que falasse a palavra morena. O meu repertório está se esgotando, mas não posso decepcionar Morena. Aceito sugestões.

Alexandre, o palhaço, me explica que está criando uma cena nova para o espetáculo em terras bolivianas. É que o lance da língua acaba sim por ser um pequeno entrave para o entendimento de determinados esquetes e gags. Segundo Alê o novo quadro será mais visual e menos lingüístico.

E de repente lembrei de José Luís Peixoto, o poeta português. ‘Foi um rio que me trouxe’, ele diz.

E o rio que nos trouxe, também nos leva.

Seguimos.

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