MARTIN MARTINEZ: UM ARTISTA COMPLETO POR TRÁS DO PALHAÇO DO FESTCINEAMAZÔNIA ITINERANTE

“Se vai fazer, faz com vontade”. O bordão usado pelo artista Martin Martinez ao dar vida a seu personagem palhaço é mais que um bordão. É uma profissão de fé. Aos 41 anos, o argentino nascido em Buenos Aires trocou as possibilidades de fazer cinema, em que é formado, ou música, como guitarrista de uma banda de rock e ‘bandeou’ para o lado do circo. Há 20 anos é assim.

Nessas duas décadas, Martin viajou, montou e deixou em suspenso uma companhia teatral bem sucedida, passou o chapéu pelas ruas do mundo, se apresentou em dupla e agora se apresenta em formato solo. De certa forma, “Um sorriso vale mais que mil palavras”, nome dado ao espetáculo é o acúmulo do vivido por Martinez.

Fazendo parte das atrações do Festival de Artes Integradas-Festcineamazonia Itinerante, Martin Martinez aguarda com um misto de ansiedade e alegria a possibilidade de se apresentar a comunidades ribeirinhas. A itinerância do festival seguirá por rio o Vale do Guaporé, englobando localidades de Rondônia e da Bolívia. A programação encerra dia 25 de agosto.

Ser palhaço talvez não estivesse nos planos iniciais de Martin Martinez. Mas a arte sim. “Sempre gostei de música e sou formado pela Universidade de Cinema Avellareda, na Argentina. Isso sempre fez parte da minha vida”.

Entre os anos de 1991 e 1992 Martin encontrou gente que pensava como ele. “Juntos alugamos um galpão e transformamos em um espaço cultural, com cinema, música, fotografia e dança”, diz ele. “A experiência durou até uns três, quatro anos atrás”, complementa.

Serviu para, entre outras coisas, mudar a vida dele. “Uma vez chegou um pessoal para dar uma oficina de circo. Eu fazia teatro e cinema, mas me encantei pelo circo. Aprendi clown. Fiquei em dúvida entre cinema, música e ser artista de circo. Fiquei com a última opção”.

O convite para participação em um espetáculo diário de circo ajudou a definir os caminhos de Martinez. Fazia malabarimos, números de paródia musical e depois passava o chapéu. Depois disso, adeus cinema. “Não parei mais”, diz.

Durante dez anos sobreviveu da arte de passar o chapéu ao fim dos espetáculos. “Aos 20 anos tudo é possível, mas depois fica difícil porque surgem outras responsabilidades e expectativas financeiras”, afirma.

Foi o tempo da companhia “Circo de Variedades Cênicas”, grupo que durou dez anos, mas que atualmente, Martin não sabe definir se ainda existe ou não. “Cada um tomou um rumo diferente. No ano passado fizemos uma separação, mas nada oficial”, com o grupo Martin viajou muito, com diversas apresentações nos mais diferentes formatos. A última investida dele havia sido o duo Prismáticos. “Também viajei muito nesse trabalho de dupla”.

Foi no fim de 2012 que surgiu a ideia do trabalho solo. Martin possui duas versões dele. Uma para os palcos e outra para as ruas. Em ambas se sente à vontade. “O palhaço tem um charme especial, ele tem uma coisa que não dá para fingir, mexe com o lado da pureza, do ser bobo, ser tonto, estar num estado de inocência que a gente tenta esconder. Mas é a coisa mais interessante, quando isso aparece, essa ‘tonteria’. Eu valorizo muito a bobagem. Ela nos faz ser vulneráveis e sãos. É como poder chorar”, compara.

O Festival de Artes Integradas – Festcineamazônia Itinerante 2013 tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural da Santo Antônio Energia e Parceria Institucional da Fundação Banco do Brasil.

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