Ailton Krenak

Ailton Krenak

Quem abrisse alguma revista nos anos 80 muito provavelmente talvez encontrasse em alguma página um perfil ou entrevista com Ailton Krenak. Afinal, os atos e palavras do indígena mineiro chamavam a atenção numa década em que muita gente parecia atrair para si os holofotes midiáticos. Krenak, nascido sob o nome de Ailton Alves Lacerda Krenak, já antecipava conceitos que eram partilhados por um número muito seleto de cientistas no mundo. O conceito de Gaia, a Terra Mãe, por exemplo, encontrava eco em nomes do estirpe de James Lovelock. A imagem do Ailton Krenak da Constituinte, protestando com o rosto pintado de preto contra os retrocessos aos índios parecem mais atuais que nunca. Não é por acaso que o militante dos direitos dos povos indígenas será homenageado na décima-quarta edição do Cineamazônia.
Dos primeiros anos como militante aos dias atuais, Ailton Krenak protagonizou importantes avanços para as comunidades indígenas. Fundou e dirige o Núcleo de Cultura Indígena; é criador do Festival de Danças e Culturas Indígenas, na década de 1990, na Serra do Cipó (MG).
Atuando como jornalista, Krenak foi apresentador da série de TV-Educativa“ Índios no Brasil”, em 1998 e da série para TV-Canal Futura “TarúAndé” com temática indígena- 2007. Em Janeiro de 2016, foi distinguido com o diploma de ´Professor Honoris Causa´ pela Universidade Federal de Juiz de Fora-UFJF.
Em 2015, no meio do turbilhão político vivido pelo país, Krenak preferia manter uma postura otimista em relação ao futuro. E essa é uma chave fundamental para se entender a militância desse índio sábio. À época, Krenak afirmou à revista Carta Capital não querer ‘ficar travado na engrenagem que estavam passando por aí’.
“Se a gente sabe que essa pressão tem conexão com tudo que está acontecendo no mundo, na economia, esse aspecto macro, também penso que a política não teve criatividade de sair dessa roda, está subordinada ao mercado. Para mim, ainda existem visões de mundo que cantam e dançam para suspender o céu. Quando o céu está fazendo uma pressão muito grande sobre o mundo, uma parte desses humanos está cantando e dançando para suspender o céu. Se não fizerem isso, a pressão fica demais para nossa cabeça e ficamos sem saída. Eu não aceito o xeque-mate, fim do mundo ou fim da historia. Esse momento difícil para mim é quando eu mais evoco esse pensamento: cantar, dançar e suspender o céu”.

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