PEDRAS NEGRAS FOI A SEGUNDA COMUNIDADE QUILOMBOLA VISITADA PELA ITINERÂNCIA DO FESTCINEAMAZONIA 2013 NO VALE DO GUAPORÉ

PEDRAS NEGRAS FOI A SEGUNDA COMUNIDADE QUILOMBOLA VISITADA PELA ITINERÂNCIA DO FESTCINEAMAZONIA 2013 NO VALE DO GUAPORÉ

O assassinato do líder quilombola paraense Teodoro Lalor de Lima em Belém, no Pará, foi lembrado pela organização do Festival de Artes Integradas-Festcineamazonia Itinerante. Na abertura da noite de apresentação do festival na comunidade quilombola de Pedras Negras em Rondônia, a organizadora do Festcineamazonia Fernanda Kopanakis lembrou a violência que ainda ameaça lideranças de comunidades tradicionais na luta pela posse da terra e pediu um minuto de silêncio por Teodoro Lima.

A liderança quilombola foi assassinada na capital paraense na segunda-feira, 19 de agosto. Teodoro Lalor de Lima iria participar, em Belém, de um encontro estadual de comunidades quilombolas. Presidente da Associação dos Remanescentes Quilombolas de Gurupá, em Cachoeira do Arari, Marajó, Teodoro denunciava a ação de fazendeiros locais na tentativa de expropriação das terras dos remanescentes de quilombos em Cachoeira do Arari e vinha sofrendo ameaças por conta disso.

“É significativo que façamos essa referência em uma localidade como Pedras Negras, também uma comunidade de remanescentes quilombolas”, disse Fernanda Kopanakis.

Pedras Negras é uma comunidade pequena, às margens do rio Guaporé. Construída praticamente em cima de um morro abriga 31 famílias e 170 moradores, em seus quase cem anos de existência. Dos moradores, 25 são crianças.

Antes de virar comunidade quilombola, Pedras Negras abrigava um porto. Aos poucos começou a receber escravos que fugiam de Vila Bela da Santíssima Trindade, em Mato Grosso. Foram eles que deram início ao que hoje é Pedras Negras.

Essencialmente católica, a comunidade tem uma imponente igreja em cima do morro, de frente ao rio. Duas festividades fazem parte do calendário católico de Pedras Negras. A do Divino Espírito Santo e Nossa Senhora da Conceição.

Atualmente o local é ponto de reunião de turistas que buscam a pescaria. Três pousadas movimentam parte da economia de Pedras Negras. A outra fonte de renda é a extração da castanha, que produz 600 toneladas por ano, mas que por ser vendida a atravessadores, rende menos do que poderia à comunidade. “É uma coisa que ainda estamos buscando solução”, diz o líder comunitário de Pedras Negras Francisco Edvaldo, 41 anos.

Um dos grandes orgulhos de Pedras Negras é o time de futebol local, recentemente campeão em um torneio envolvendo comunidades próximas. Essas façanhas são contadas e lembradas embaixo de uma frondosa mangueira cercada por bancos de madeira no centro da localidade.

Parte desses atletas prestigiou a noite de apresentação do Festcineamazonia Itinerante. Sob a lua cheia os artistas do festival se apresentaram a um público mais heterogêneo que o de comunidades anteriores. Isso porque além dos moradores de Pedras Negras, a plateia contou com a presença de alguns hóspedes das pousadas.

O Festival de Artes Integradas – Festcineamazônia Itinerante 2013 tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural da Santo Antônio Energia e Parceria Institucional da Fundação Banco do Brasil.

Por Ismael Machado

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