MATEGUÁ-BOLÍVIA, A HARMONIA DAS ARTES COM O FESTCINEAMAZONIA
Numa pequena escola de madeira, 13 crianças ouvem as histórias contadas pelo escritor português José Luís Peixoto. Alguns metros adiante há dois barracões de madeira para a estocagem de castanha. Os dois barracões estão vazios e explicam os motivos de cerca de cem metros mais à frente, quatro jovens apenas deixarem passar o tempo à sombra de uma árvore. Quase nada há a se fazer no distrito boliviano de Mateguá quando finda o período de coleta da castanha, a única fonte de renda efetiva das 23 famílias que moram na localidade. Mateguá é um lugarejo dividido entre os que professam a fé numa religião cristã chamada por eles de ‘israelita’ e os que não seguem essa crença. Sob uma lua cheia alaranjada, a comunidade dividida se reuniu para assistir a programação do Festival de Artes Integradas Festcineamazonia Itinerante.
Mateguá é formada por choupanas de madeira cobertas de palha. As mulheres ‘israelitas’ usam véus nos cabelos e longos vestidos de cores sóbrias. Os homens que seguem a mesma religião não cortam os cabelos nem aparam as barbas. Entre os meses de janeiro e março, a castanha, farta, abastece a comunidade. Mateguá pensa em criar uma cooperativa. Seria uma forma de combater a prática do atravessador, algo ainda comum nos rincões amazônicos, sejam brasileiros, sejam bolivianos.
É o atravessador quem fornece gasolina, mantimentos, óleo, entre outros produtos para que os coletores possam ficar nos acampamentos montados nos castanhais. À época de vender o produto, geralmente 70 toneladas por colheita, o atravessador impõe o preço que deseja. Se geralmente o preço ideal deveria variar próximo de R$ 150,00 o atravessador paga R$ 90,00. É uma equação desigual. “Queremos criar uma associação que fortaleça a gente”, diz Apolinário Soarez, 65 anos, líder comunitário local.
De abril a dezembro, a comunidade sobrevive do que vendeu. Quase isolados, os moradores receberam o Festival de Artes Integradas-Festcineamazonia como algo a modificar a rotina diária. Crianças, jovens e velhos, atentos e participativos. Com o cantor Bado, imitaram pássaros na canção ‘Passarada’. Contemplativos, ouviram José Luís Peixoto recitar poemas sobre a passagem do tempo. E riram com Martinez, o palhaço argentino. E ‘Vida Maria’, o filme, fez com que a comunidade se identificasse com a história nordestina de meninas que precisam amadurecer muito mais rápido.
“Em Mateguá, senti uma harmonia especial, mesmo sendo um dos locais mais pobres e com menos estrutura por onde passamos. O que me impactou muito foi a determinação dos moradores de não querer uma estrada, pois acreditam que não vai trazer riquezas, mas vai trazer problemas, irão perder a tranquilidade. E elas foram muito atentas à toda a programação”, disse o escritor José Luís Peixoto.
O Festival de Artes Integradas – Festcineamazônia Itinerante 2013 tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural da Santo Antônio Energia
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