Cineamazônia Itinerante faz balanço positivo de etapas por Brasil, Peru e Bolívia

No total, foram 7.428 quilômetros percorridos, sendo 6.718 por estradas de asfalto e chão, além de 1.250 pelos Rios Guaporé e Mequéns, onde foram feitas 31 exibições de cinema e apresentações circenses em comunidades, vilas, quilombos e cidades do Brasil, Peru e Bolívia.

Essa foi a saga do Cineamazônia Itinerante 2017, dividida em duas etapas: a primeira, entre 02 a 14 de agosto, que foi até Iñapari (Peru), Assis Brasil e Capixaba, no Acre, além dos distritos de Porto Velho na BR-364: Nova Califórnia, Extrema, Vista Alegre do Abunã, Abunã, Fortaleza do Abunã, Nova Mutum (Vila Jirau), União Bandeirantes, Rio Pardo e Jacy Paraná.

Pouco tempo depois, a equipe foi para as regiões dos Vales do Mamoré e Guaporé, onde do dia 23 de agosto a 12 de setembro fez 19 atividades: Resex Rio Ouro Preto, Guajará-Mirim, Guayaramerín, Iata, San Lorenzo, Surpresa, Forte Príncipe da Beira, Costa Marques, Buena Vista, Quilombo de Santo Antônio, Versalles, Quilombo de Pedras Negras, Mateguá, Porto Rolim, Cafetal, Remanso, Pimenteiras, e pela primeira vez, em Cabixi.

Em todas as cidades, houve muita expectativa para o público conferir os filmes curta metragens de animação e ficção do Brasil e países como Venezuela, Suíça, Espanha e Peru, além das apresentações do palhaço Cloro (artista argentino Diego Gamarra). Pela primeira vez, em oito anos de itinerância, também foi exibido um longa metragem: Boqueirón, sob a direção de Tonchy Antezana, com duas horas de duração e que foi projetado em Guayaramerín, para centenas de pessoas, no dia 25 de agosto.

Para o coordenador José Jurandir da Costa, ter tantas exibições divulgando cinema na Amazônia é um trabalho de muita superação de uma equipe composta por 23 pessoas, sendo 17 do projeto e seis tripulantes do barco Canuto. “Fazer cinema no Brasil é um milagre. Fazer curta metragens é muito mais, pois são filmes que normalmente a gente não vai ver na televisão ou em salas de cinema. Levar isso pra comunidades, onde pessoas que lá vivem, nunca viram um filme ou raramente veem por conta da distância e do isolamento é renovador. Por isso, que o Cineamazônia está nessa luta há 15 anos: para democratizar o cinema, a arte e a cultura, para promover cidadania, educação e para que as pessoas pensem e questionem o mundo em que vivemos”.

Já para Fernanda Kopanakis, coordenadora do Cineamazônia, não ter grandes sustos em 45 dias de viagens e preparação em viagens por tantas regiões é algo motivador. “Tivemos muitos problemas com a fumaça, tanto nas estradas quanto no Rio Guaporé, que está extremamente baixo nesta época do ano. Pela primeira vez, navegamos no mês de setembro e isso foi muito difícil. Algumas vezes encalhamos e só saímos com a ajuda de uma voadeira ou até mesmo de todos os homens do barco que tiveram que descer para empurrar. Isso é a prova de que a região do Vale do Guaporé está sendo sufocada, imprensada pelas fazendas de gado e soja da região, o que é muito triste. Ainda temos as dificuldades de uma crise política e econômica, que nos colocaram a fazer uma ginástica grande para colocar toda essa estrutura nas estradas e rios e continuar com o projeto em frente. Todas as exibições foram um sucesso de público e ainda tivemos uma estreia, onde pela primeira vez estivemos em Cabixi, cidade linda, bem cuidada e acolhedora do Cone Sul do estado, onde com isso, fechamos todo o arco da fronteira entre Rondônia e Bolívia”, destacou ela.

Cineamazônia

Em outubro, vem a Mostra Competitiva que será realizada dos dias 17 a 21, em Porto Velho, além das exibições em escolas e locais especialmente escolhidos do dia 18 a 20 do mesmo mês.

A 15ª edição do Cineamazônia tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual e da Lei Rouanet. Ainda tem o apoio cultural da Sejucel, Funcultural, Fecomércio e SESC Rondônia. O Cineamazônia é associado ao Fórum dos Festivais e membro do Green Film Network.

Texto: Felipe Corona
Fotos: Beethoven Delano.

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