CALAMA A TERRA DOS BOTOS RECEBE O ITINERANCIA

CALAMA A TERRA DOS BOTOS RECEBE O ITINERANCIA

Calama é o portal de entrada do estado de Rondônia para quem vem do estado do Amazonas via fluvial. Foi na manhã de quarta feira dia 25, que o barco N.S. Aparecida II com a equipe do Fest Cineamazõnia Itinerância, atracou no porto do Distrito que mais sofre com a erosão das barrancas do Madeira. A população está realmente preocupada com a situação, a igreja e a casa que nos tempos áureos da borracha foi morada de seringalistas como Joaquim Pereira da Rocha, mais uma casa que abriga um mini supermercado (principalmente este logradouro), caso não seja tomada providência urgente para conter a erosão, no próximo verão, já não vai mais existir. Enquanto isso, os Botos nos proporcionam um espetáculo ímpar, somente visto no canal do rio Madeira que passa em frente a Calama. “Os botos não saem aí da frente, devido a grande quantidade de peixe que passa diariamente”, conta o seu Rosalvo um cidadão que apesar dos quase 70 anos de idade, ainda enfrenta o barranco (o mais alto de todos no baixo Madeira) carregando carga dos navios para cima. Outra característica de Calama são as pontes. A cidade é dividida por três pontes, a que vai para o bairro São Francisco o mais populoso, a do bairro Tancredo Neves e a famosa ponte metálica que nos leva ao colégio estadual General Osório e ao posto de saúde, foi no General Osório que fomos recebidos pelo professor e diretor Jofre Soares que nos levou de classe em classe para convidarmos os alunos a assistirem os filmes que seriam exibidos pelo Fest Cineamazônia a partir das 19h00 em frente à igreja.

No bairro São Francisco, batemos um papo com a dona Maria uma das mais antigas moradoras daquele local, que nos contou que ali chegou em 1970, “Quando aqui era mata bruta, nós abrimos para plantar mandioca, feijão, milho e outros produtos assim como verduras e legumes de um modo geral”. O São Francisco é um bairro muito bem estruturado, com uma escola municipal, uma praça bonita e limpa um armazém onde se encontra praticamente de tudo, inclusive um posto da Caixa Econômica Federal que por sinal, pelo menos no momento que o visitamos, estava com o sistema fora do ar e em conseqüência a fila estava muito grande. Em conversa com dona Maria fiquei sabendo que a moradora mais antiga de Calama que está viva “é a dona Sabá que está com mais de 80 anos, ela nasceu e se criou aqui” disse dona Maria.

Jurandir convocou o Câmera Jorge Kellari o Grego Paraense, o fotografo Beethoven Delano e o operador de áudio Rômulo Mota mais o coringa Chrystian Ritse responsável pela projeção, para gravar algumas cenas com a minha participação, subindo o barranco, atravessando a ponte, conversando com as pessoas enfim, tudo que pode ser editado para o curta, sobre minha visão do Projeto Itinerância do Fest Cineamazonia.

Já à noite antes de começar a sessão, fui procurar dona Sebastiana Diniz da Silva a moradora mais antiga de Calama. Ela está com 86 anos de idade e mora numa casa confortável na companhia de sua neta Maiara. “Se o senhor perguntasse pra mim se eu sei assinar meu nome diria, não sei, mas se o senhor quiser saber se cortei seringa vou dizer, cortei muita seringa para o seringalista Raimundo Ferreira”. A conversa fluiu descontraidamente e dona Sabá foi nos contando, que para criar os seus filho, lavou roupa pra fora, vendeu churrasquinho e outras guloseimas em frente dos locais onde aconteciam festas. “Graças a Deus deu tudo certo e meus filhos tão criados”. Dona Sabá é uma pessoa alegre e muito divertida que deve ser considerada como patrimônio cultural de Calama.
O distrito de Calama foi criado por intermédio do Decreto-Lei federal nº 7.470, de 17 de abril de 1945.
Serviço:

Equipe do Fest Cineamazônia que participou do Itinerância: Fotografia e Câmera Jorge Kellari (Grego); Som Rômulo Motta; Projeção Chrystian Ritse; Elétrica Wilson Pereira (louro); Apoio Logístico Gil Costa, Wagner Augusto – Kaká, Milton Silva – Bibi. Diretor Jurandir Costa.

Por Zé Catraca

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