Dia 9 – Calmaria em Fortaleza do Abunã

Dia 9 – Calmaria em Fortaleza do Abunã

Uma dor irritante percorria desde a base da minha lombar até a ponta dos meus dedos da mão esquerda. É uma dor que eu conheço bem, proveniente de uma coluna meia-boca piorada pela falta de alongamento. Eu até tentava digitar, adiantar os textos que ficaram atrasados na viagem, mas não conseguia me concentrar. A rotina de viagens por terra é desgastante, por mais divertida que seja. Chegamos a um ponto da viagem em que o cansaço começa a aparecer, assim como a saudade de quem ficou em suas respectivas cidades.

O entusiasmo ainda está ali, mas já é contaminado por uma espécie de pragmatismo perigoso devido à rotina, fazendo com que se entre em uma espécie de piloto automático, o que é sempre péssimo. Por isso, o mais difícil é manter-se concentrado e sensível ao que aparece ao seu redor.

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Acordei apenas ao chegamos à Fortaleza de Abunã, distrito que fica a pouco mais de uma hora de Vista Alegre do Abunã. O local talvez seja o mais charmoso que vimos até aqui. As casas são de madeira, bem simples, com ruelas estreitas, sendo boa parte asfaltada. A mata ainda ocupa boa parte do lugar, com árvores robustas ocupando boa parte da comunidade de pouco mais de 500 habitantes.

É considerado um dos pontos turísticos de Porto Velho, embora o distrito fique a 260 quilômetros do centro da capital. Nas épocas mais secas, forma-se uma praia de rio, com uma areia branca às margens do Rio Madeira, bem embaixo do mirante do local. Para a minha decepção, chegamos em época de cheia e tudo o que pudemos ver foi um pouco de grama e nada de faixa de areia.

Ainda faltavam algumas horas para começarmos a exibição dos curtas. Com tempo sobrando, fomos tirar uma foto próxima à cachoeira da comunidade. Bem, cachoeira talvez seja uma palavra forte. Na verdade é uma pequena queda d’água no percurso rio. O volume de água e as rochas no fundo do rio deixam a água turbulenta, tornando o lugar perigoso e impossível de se tomar banho._84U6174

O espetáculo em si foi bem tranquilo. A noite estava bem estrelada e o vento que vinha do rio deixava o clima bem agradável.

Na volta para o hotel foi mais animada que a ida. Eu e Fernanda fomos ouvindo as músicas que estavam no notebook dela. Dividindo o fone de ouvido passamos por Gal Costa, Caetano, até pararmos em Cássia Eller. Havia uma certa nostalgia no ar. Contei da vez que fui ao Rock in Rio com meu pai. Tinha 10 anos. Lembro das pessoas saindo do show do Penélope pulando em direção ao palco em que Cássia estava tocando aos primeiros acordes de Smells Like Teen Spirit. Foi lindo.

Saí da van um pouco mais leve, não sei porque razão.

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